quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Dona Antônia

    




   Aos 90 anos de idade, ela, Dona Antônia, é nossa eterna professorinha. Boneca de olhos azuis, dignos dos maiores elogios de seu grande amor, o Ludgero, é nossa boneca de louça. Mulher vanguardista do sertão piauiense que trabalhava oito, dez horas por dia numa época em que 99,9% da mulheres nem sonhava em trabalhar. Encantada pelos livros e pela educação, plantou na família Simeão o gosto pelos estudos. Fomos testemunhas de diversos de seus atos heróicos voltados para a educação, mas tem um que guardo em minha memória, foi nos anos oitenta, quando a prefeitura de Altos fechou a única escola primária do Sítio Bom Gosto. Indignada, ela batalhou até o final do o final do governo para conseguir trazer a escola de volta para aquele Sítio. Enquanto isso, mesmo estando aposentada, passou a ministrar as aulas na varanda da sua casa para que as crianças não ficassem sem aula e sem a sonhada merenda, alimento principal para muitos deles. Depois de algum tempo e de uma longa batalha na prefeitura de Altos-PI, para sua felicidade, a Escola primária voltou a funcionar. Ela alfabetizou inúmeras crianças naquele chão de meu Deus, onde a educação era única esperança daquela gente que ali vivia. Suas vitórias foram muitas, tendo ex-alunos que são hoje profissionais renomados no Brasil inteiro, e que choram de emoção ao encontrá-la. Alguns chegam até falar que ela foi a luz para muitos daquele lugar.
      Mas porque falar de Dona Toinha hoje? Porque ela saiu do hospital e encontra-se ótima depois de um susto que seu coração nos deu. Hoje ela voltou para os braços de seu grande amor, seu Ludgero, que a esperava em casa ansioso. Salve, salve a dona Toinha, a nossa Sivó, essa mulher guereira de coração forte que não mede esforços para amar e viver intensamente.

(Adriana Simeão )

2 comentários:

  1. Bonita HISTÓRIA, Dica!!!pelo visto fibra, inteligência e determinação são marcas registradas das mulheres da família Simeão, passadas a cada geração!!xêro!!!

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  2. Oi Mari,
    Obrigada,amiga, você também é uma mulher de fibra.
    Heheheh, continue lendo meus textos...risos... ainda vou publicar um livro. um xêro,Adri

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